Samuel Rodrigues Foto

Celso Amadeu Torquato atua como telefonista da CASAN ha 23 anos.

 

Não é de hoje que a CASAN tem servidores portadores de necessidades especiais. Mas nos últi-mos anos a legislação trabalhista brasileira incorporou diversas exigências para, de fato, inserir o portador de necessidades especiais no mercado de trabalho. E a Empresa tem procurado cumprir essas determinações

 

Antes da atual legislação , o deficiente visual Celso Amadeu Torquato já havia começado a trabalhar na Casan como telefonista e é tido como uma referência interna de inclusão social . Na verdade , é funcionário há 23 anos da Companhia e neste dia 29 de junho,  recebeu cumprimentos especiais dos colegas  pela passagem do Dia do Telefonista.

 

Uma pesquisa feita pela Federação Nacional de Cegos apontou que menos de 10% dos 1.3 milhões de deficientes visuais sabem ler em Braille.  Celso é um dos adeptos das tecnologias sonoras, sua especialidade na CASAN é receber ligações ramificando-as aos diversos setores.

Além de ramificar ligações, utiliza uma mesa telefonista MD110 da Ericsson digital, aparelho que Celso opera com maestria. Segundo Lauren Beron Kassick, colega de trabalho de Celso, o colaborador tem inúmeros telefones de memória. Portadores de necessidades especiais possuem demandas diferentes de equipamentos e acessibilidade, tornando as adequações muito mais individuais que massificadas. Existem inúmeras formas de integração cabendo as empresas analisarem caso a caso.

Apesar da legislação já existir quando o advogado Anselmo Alves foi aprovado no concurso de 2006 ele não se inscreveu dentro da cota prevista para os portadores de necessidades especiais.  Chamado para assumir na Agência Rio do Sul em

2008 ele conta que enfrentou algumas resistências no local de trabalho, principalmente quanto a adaptações necessárias para melhorar a acessibilidade. “Pequenas alterações podem fazer muita diferença para a gente, é difícil as pessoas compreenderem isso”, explica. Com paciência e determinação, ele conseguiu aos poucos mudar algumas coisas.

Atualmente Anselmo trabalha na Matriz, na Procuradoria do Contencioso, onde considera que as condições são melhores, embora ainda necessitem algumas adaptações. Hoje bem adaptado à equipe, ele lembra que, a cada novo local de trabalho, tem que se desdobrar para provar sua capacidade profissional mais do que qualquer outro colega recém chegado: “sempre há preconceito na chegada”, afirma. E não adianta: só a convivência dissolve essa primeira impressão.

 

Embora também conviva com a surpresa dos co-legas, a assistente administrativa Vanessa Wilke elogia a recepção que teve há seis meses, quando foi chamada a assumir sua vaga na gerência de Licitação. “As pessoas foram muito acolhedoras e a Empresa se preocupou em adquirir um software adaptado que facilita muito minha rotina, isso é raro”, afirma Vanessa, comparando com sua experiência profissional anterior. Ela conta que a mediação da ACIC, a Associação Catarinense para Integração do Cego, também foi importante.

 

A chefe da DISMT (Divisão de Segurança e Medicina do Trabalho) Míriam de Jesus conta que quando um portador de deficiência é contratado

é formada uma comissão, composta pela chefia, um colega da área e pelo médico ou técnico de segurança para analisar as necessidades e adaptações que precisam ser feitas para receber o novo colega. No caso de Vanessa, a ACIC também acompanhou sua adaptação.

 

Convivendo com colegas muito especiais Embora tenham necessidades especiais diferentes, Anselmo e Vanessa concordam que pequenas mudanças podem ajudar muito na sua inserção de fato na rotina da Empresa. Vanessa, que é deficiente visual, uma vez tomou o eleva -dor, se distraiu conversando com colegas e foi parar no segundo andar, quando trabalha no primeiro. Depois do susto, uma medida simples resolveu a questão: a instalação de uma gravação avisa em qual andar o elevador se encontra.

Já Anselmo ainda enfrenta dificuldades na mais simples ação diária: entrar e sair de prédio da Matriz. Deficiente físico, embora use próteses e não cadeira de rodas, as catracas na entrada principal e a porta da garagem dificultam seu acesso ao prédio.

 

Mas a solução já esta sendo encaminhada : Míriam, a chefe da DISMT , levou o assunto à Diretoria Administrativa, que já constituiu uma comissão para elaborar planos de ação de acessibilidade. Composta por engenheiros, arquiteta e profissional de segurança do trabalho, o grupo vai fazer o levantamento dos pontos que precisam ser adequados e melhorados, segundo as normas de acessibilidade, e elaborar propostas para que as benfeitorias sejam efetivamente realizadas. Os trabalhos inicialmente se concentrarão no edifício sede da Matriz e no CIOM, devendo estender-se às demais instalações da Empresa.

 

Superproteçáo e indiferença: faces do mesmo preconceito

Superação é o substantivo mais usado quando falamos em portadores de necessidades especiais. A adaptação a uma sociedade planejada para os ‘normais’ é um caminho difícil e longo, que o portador trilha com o apoio de entidades criadas para facilitar esse aprendizado.

Mas é importante também que a sociedade em geral esteja preparada para recebê-lo. E pequenos gestos podem ajudar a convivência (confira as dicas ao final desta matéria ).

 

Tanto a superproteção quanto a indiferença são terríveis para o portador de necessidades especiais. Anselmo e Vanessa têm histórias quase tragicômicas para contar, como ela ser forçada a atravessar a rua por um pedestre que pensava estar sendo prestativo, quando ela apenas esperava a mãe na calçada. “Já me deram esmola, já me pagaram o lanche, e olha que eu geralmente estou de terno, por força da profissão!”, conta o advogado Anselmo, entre espantado e divertido. E haja bom humor para enfrentar essas ‘boas ações’ que disfarçam um feio preconceito. Mas ambos concordam que o pior, mesmo, é a indiferença: “a superproteção, a atitude equivocada, a gente pode corrigir. Mas quem se -quer olha para a gente, não dá abertura, não dá para interagir”, lamenta Vanessa.

Um atleta campeão de olho em Londres

No começo deste ano o advogado Anselmo Alves foi transferido para a Matriz da Casan , lotado na Procuradoria Adjunta do Contencioso e pode se dedicar melhor a sua ‘outra vida’, a de atleta de natação, já que seu treinador é de  florianópolis. Desde que co -meçou, em 1997, coleciona participações e muitas vitórias em sucessivas competições realizadas por todo o mundo. Em 2007 participou dos Jogos Parapanamericanos do Rio de Janeiro. Em 2008 foi vice-campeão mundial no torneio realizado na Alemanha.

Tem títulos sulamericanos e outros mundiais. “O único título que me falta é um paraolímpico”, contabiliza o atleta. Atualmente Anselmo é o 2º melhor do

Brasil nos 50 metros nado peito. E junta ao trabalho na Procuradoria da CASAN um pesado treino diário que visa preparálo tanto para as competições do calendário brasileiro como para a seleti -va dos Jogos Paraolímpicos de Londres, que acontece agora em junho. A torci -da do Registro ele já tem!

 

SC: 1.331.445 portadores de deficiência

 

O número de portadores de deficiência em Santa Catarina chega a 1.331.445, de acordo com o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O que significa que cerca de 21% de toda a população do Estado apresenta pelo menos um dos tipos de deficiência investigada como deficiência visual, auditiva, motora, mental e/ou intelectual em diversos graus. A deficiência visual é a que concentra mais portadores com 12,87%. “É um número muito expressivo de catarinenses. Precisamos conscientizar a população para que os direitos das pessoas com deficiência sejam respeitados e facilitar a vida destes cidadãos”, destaca o Secretário de Estado da Assistência Social, Trabalho e Habitação (SST), João José Cândido da Silva.” Os direitos das pessoas com deficiência foram o tema  da 3ª edição da Conferência Estadual sobre o tema que  aconteceu  dia 20 de junho último, em Florianópolis.

 

DICAS : Como agir na convivência com…

 

Deficientes visuais

 

Não evite termos como “ver” e “olhar”. Os deficientes visuais podem entender a expressão metaforicamente sem se sentirem ofendidos. Toque no braço dele antes de começar a falar para que o deficiente visual entenda que é o destinatário de suas palavras. Quando for deixar o ambiente avise.

Não se dirija ao portador de deficiência visual através de seu acompanhante, supondo que ele não pode compreendê-lo.

A menos que a pessoa tenha também uma deficiência auditiva que justifique isso, não faz nenhum sentido gritar.  fale em tom de voz normal.

Para guiar uma pessoa cega esta deve segurar em seu braço, não devendo ser puxada ou empurrada.

Ao guiar uma pessoa cega para alguma cadeira, co-loque a sua mão no encosto e avise se tem braço.

Oriente o deficiente visual quanto à distribuição de alimentos em seu prato fazendo de conta que o prato é um relógio. Por exemplo, o arroz está às

12h, o feijão, às 3h, etc. Pergunte se ele precisa de ajuda para cortar a carne.

Não deixe portas entreabertas no caminho, conserve-as encostadas à parede ou fechadas.

 

Deficientes físicos

 

Ao conversar com um cadeirante, se for possível, sente-se, para que você e ele fiquem com os olhos no mesmo nível.

Nunca movimente a cadeira de rodas sem antes pedir permissão para a pessoa.

Quando estiver empurrando um cadeirante e parar para conversar com alguém, vire a cadeira de frente para que a pessoa também possa participar.

Ao acompanhar um deficiente procure acompanhar

o seu passo.

Mantenha as muletas ou bengalas sempre próximas à pessoa deficiente.

Se achar que ela está em dificuldades, ofereça ajuda e, caso seja aceita, pergunte como deve fazê-lo. As pessoas têm suas técnicas pessoais e uma tentativa de ajuda inadequada pode até mesmo atrapalhar.

Se a pessoa tiver dificuldade na fala e você não compreender imediatamente o que ela está dizendo, peça para que repita. Pessoas com dificuldades desse tipo não se incomodam de repetir quantas vezes seja necessário para que se façam entender.

Não se acanhe em usar palavras como “andar” e “correr”. As pessoas com deficiência física empregam naturalmente essas mesmas palavras

 

Deficientes auditivos

 

Quando falar com uma pessoa surda, se ela não estiver prestando atenção em você, acene para ela ou toque em seu braço levemente.fale de maneira clara, pronunciando bem as palavras, mas não exagere. Use a sua velocidade normal, a não ser que lhe peçam para falar mais devagar.fale diretamente com a pessoa, não de lado ou atrás dela.faça com que a sua boca esteja bem visível.  gesticular ou segurar algo em frente à boca torna impossível a leitura labial.

Seja expressivo ao falar. Como as pessoas surdas não podem ouvir mudanças sutis de tom de voz que indicam senti -mentos, expressões faciais, gestos e o movimento do seu corpo indicarão do que você quer dizer.

Enquanto estiver conversando, mantenha sempre contato visual, se você desviar o olhar, a pessoa surda pode achar que a conversa terminou

Fonte: https://www.casan.com.br/noticia/index/url/inclusao-social-portadores-de-deficiencia-atuam-na-casan#0

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