As empresas começam a perceber o potencial de consumo da comunidade formada por portadores de necessidades especiais. Após a inclusão dessa população no mercado de trabalho, muitos agora se tornam ávidos consumidores. Isso tem levado o varejo a criar soluções para atender essas pessoas. Redes como Magazine Luiza, Renner, Walmart e Livraria Saraiva já analisam ferramentas para fisgar tais clientes.

A estratégia tem fundamento social e comercial. No Brasil, o valor da renda desse segmento da população é estimado em R$ 22 bilhões ao ano. No mundo, o relatório The Global Economics of Disability aponta que portadores de alguma deficiência controlam, em renda anual, US$ 4,1 trilhões.

Hoje, a legislação no País fomenta a inserção desse contingente ao mercado de trabalho. A lei determina cota de 2% a empresas com mais de 100 a 200 funcionários, e 5% acima de 1.001 empregados, logo a demanda por treinamento e capacitação para atender as necessidades desse público também virou um nicho.

O diretor da companhia de tecnologia canadense Essential Accessibility Aurélio Pimenta contou que o comércio eletrônico (e-commerce) acordou para esse cenário no País há menos de um ano e a tendência é de as empresas investirem, rápido, em soluções para captar essa parcela importante da população. “É algo fora do comum, uma vez que uma organização [pública ou privada] passa a oferecer oportunidade de esse indivíduo navegar na internet. Além disso, aumentou em 33% o número de usuários da web de 2012 para 2013 no País. Foi o maior aumento de usuários no mundo, logo é preciso analisar o segmento”, ressaltou.

Segundo Pimenta, atualmente no mundo mais de 120 empresas utilizam a solução desenvolvida pela companhia. Já no Brasil, conglomerados como Renner, Magazine Luiza, Mastercard, 3M e a Universidade Cruzeiro do Sul passaram a oferecer gratuitamente o programa para seus clientes e alunos. Contudo, destacou ele, ainda há, sim, uma falta de visão no País inteiro que não vê a comunidade com deficiência, ainda, como um forte mercado consumidor. Apesar disso, a Essential prevê dobrar as parcerias ainda este ano, e fechar 2014 com a solução ofertada a 20 organizações – entre privadas e públicas.

“As empresas BRF, Tok&Stok e Saraiva fecharam o serviço há pouco tempo. Além disso, temos relação estreita com associações que representam os deficientes físicos, o Instituto da Criança e a Secretaria Municipal de Deficiência Física de São Paulo, por exemplo. Aliás, nós vamos disponibilizar a plataforma no site da Secretaria em breve”, reforçou.

Na prática, a Essential Accessibility oferece um sistema que visa aproximar o consumidor com deficiência das empresas que licenciaram o produto. Elas, então, passam a oferecer de maneira gratuita a solução, como se fosse uma “cadeira de rodas virtual”. Fora outros recursos, o serviço substitui teclado e mouse por meio do sistema “hands-free” (mãos livres) de rastreamento de movimento, do autoclique, do escaneamento automático de links, captação de escolhas por um simples gesto com a cabeça, desde que a pessoa esteja em frente à câmera do computador.

Para aqueles com dificuldades de leitura devido a limitações de alfabetização, dislexia ou deficiência visual moderada, o dispositivo utiliza uma ferramenta que lê o conteúdo da web, também, com sistema de reconhecimento de voz. “Ainda temos outras soluções, como plataforma de marketing específica e voltada para organizações engajarem de modo mais amplo toda a comunidade com deficiência”, disse Pimenta.

O Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC) de uma empresa precisa se preparar para o seu público-alvo, tem de ser proativo, se adequar. No e-commerce, as pessoas que têm algum tipo de dificuldade, seja ela auditiva, visual ou de outro tipo, precisam de um SAC atento e com bom atendimento. A opinião é do professor da instituição de ensino mineira voltada à tecnologia Newton Paiva, Leandro Diniz Silva. Especialista em e-commerce, ele ressalta que ao ter entre seus clientes surdos e mudos, vê como o processo de atendimento deve ser extremamente visual e por escrito para ser eficiente. “No e-commerce, as empresas que derem atenção a isso vão acertar um nicho de mercado enorme no Brasil”, garantiu.

Entre as companhias, a Renner acredita ter sido uma das pioneiras na implantação do browserEssential Accessibility no varejo on-line de moda. A proposta é que solução substitua o mouse e o teclado, com rastreamento de movimento, sendo que o dispositivo utiliza uma ferramenta que lê o conteúdo da web e, também, conta com um sistema de reconhecimento de voz compatível com o Microsoft Speech.

Conforme a gerente-geral de marketing da Renner, Luciane Franciscone, o download do aplicativo (app) é rápido e pode ser feito apenas com um clique no botão localizado no canto inferior esquerdo da homepage da empresa. “Queremos dar a oportunidade aos brasileiros com dificuldade para digitar, mover o mouse ou de leitura, naveguem com mais facilidade e tenham acesso às últimas tendências de moda por meio do e-commerce”.

Maior conectividade

Já no Magazine Luiza, ao disponibilizar em seu site o aplicativo para facilitar a navegação de pessoas com dificuldade de leitura, digitação ou movimentação do mouse, a empresa visa promover a conexão desses usuários à internet. O diretor de e-commerce do Magazine Luiza Decio Sonohara disse que no Brasil, esse público é digitalmente excluído por algumas empresas, que acabam deixando de lado iniciativas que contribuem para incluí-los também social e economicamente. “A decisão de buscar um parceiro que oferecesse uma solução para este público surgiu da necessidade de exercer nosso papel na sociedade e, consequentemente, possibilitar a eles uma experiência de compra diferenciada para que possam ter a escolha de comprar pela internet”.

Fonte: http://onegociodovarejo.com.br/consumidor-com-necessidade-especial-foco/

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